Casa de Ossos

Gosto de colecionar lugares sinistros pela terra para visitar algum dia. Já fui pras Catacumbas de Paris e ainda vou àquela igreja de ossos de Praga. Afinal, se tem um bom motivo para estar vivo é lembrar que algum dia vamos morrer.

A beinhaus (casa de ossos) é um lugar onde as caveiras dos mortos eram recolhidas, limpas e tingidas de branco por semanas de banhos de sol e de lua. Depois, eram pintados com pigmentos naturais: flores para as mulheres, ervas para os homens. O nome e as datas de nascimento e de morte eram escritas na testa. O austríaco Paul Kranzler fotografou a beinhaus e as caveiras pintadas. “A tradição começou em 1720 e agora há mais de doze mil caveiras, seis mil e 10 das quais foram pintadas. A última caveira que entrou na beinhaus foi em 1995. Sua dona morreu em 1983 e foi seu último pedido ser guardada ali”, diz o fotógrafo em entrevista para a New Yorker.

Além das caveiras decoradas, Kranzler fotografou a vista da balsa que leva até o local, mas, sinceramente, quem precisa de balsa quando você tem caveiras decoradas com letras góticas?

Potes de Tatuagem

Pele encrustrada com borracha derretida, carvão e mais sei lá o que em prisioneiros poloneses, entalhados com pedaços de vidro, clips de papel e lâminas de barbear. Extraídos de seus corpos depois de mortos, colocados em vidros de formal numa universidade e fotografados por uma artista. É impossível ficar melhor que isso. Acho que se nada disso apodreceu e virou um câncer, nunca mais preciso me preocupar com os meus dois rabisquinhos esterilizados numa clínica.

O projeto Special Characteristics (Características Especiais) foi apresentado pela primeira vez na Paris Photo em 2010. A série apresenta tatuagens recolhidas pelo Departamento de Medicina Forense da Jagiellonian University, em Kraków, desde 1872. A coleção de fotografias também foi chamada de Criminal Code (Código Criminal) por revelar os tipos de códigos e o senso de humor dos criminosos, mas isso parece um pouco superficial considerando o conteúdo bem pouco nebuloso dessas tatuagens, compostas basicamente de pornografia e ícones religiosos
(exceto pela Marca Negra aí no meio, alguém precisa pesquisar sobre isso).
É legal também que a fotógrafa é uma mulher. Acho tão inspirador achar outras mulheres que lidam com o mórbido e o bizarro. Katarzyna Mirczak nasceu na Polônia em 1980, estudou arqueologia, se especializou no Egito e no Oriente Médio, mas depois acabou se dedicando à fotografia. Todos os seus projetos têm uma carguinha mórbida, desde este mesmo projeto das tatuagens, até diversos ensaios envolvendo vítimas de homicídios. Em uma entrevista para a Tygodnik Powszechny, na edição de 18 de novembro, ela afirma que “fotografia nunca é objetiva. É feita por um par de olhos, atrás desse par de olhos está um cérebro, depois os sentimentos de alguém e experiências”.

Corpo, horror, beleza

Como todos os nossos corpos, talvez. Kate Lacour, de Nova Orleans, traduz corpos em diagramas anatômicos distorcidos que poderiam ser assustadores se não fossem tão poéticos. Sentados em posição de lótus, corpos com genitais e cobras e monstros em lugares de outros membros parecem até naturais, direto de um livro didático antigo. Não me canso de olhá-los e toda vez me fazem sorrir.

Inspired: o que significa ser tatuado hoje

Eu gosto de vídeos curtos e objetivos. Um, dois minutinhos são tempo o suficiente para expressar o mundo. E, geralmente, nada fica sobrando. Nos vídeos de Inspired Tattoo Portraits, a francesa Céline Aieta mostra tatuagens, seus donos e seus arredores. É um minutinho para ver detalhes que contam histórias, que dizem mais que horas de conversa poderiam dizer, sem ficar repetitivo e cansativo. Costumam reclamar da rapidez do mundo contemporâneo, mas às vezes é melhor assim: sutil e delicado.

Crimes Contra a Humanidade

Crimes Against Hugh’s Manatees (uma brincadeira com humanities, ou seja, crimes contra a humanidade) é uma webcomic povoada de animais tristes com dilemas bem parecidos com os nossos. Os quadrinhos de Hugh Crawford, de 34 anos, são feitos de colagens bem simples com papel colorido, enquanto os detalhes e diálogos são feitos a caneta. O humor é ácido, chegando até a ser triste. Mas acho tão bonito.

“Meus medos e minha ansiedade me deixaram acordado a noite toda. Mas se alguém perguntar porque pareço tão cansado, vou dizer que é por causa de todo o sexo intenso que fiz ultimamente.”

“Eu não vou me mover daqui até alguém vir me dar um abraço… Cadê a porra de todo mundo?”

“É importante sempre estar aberto para o amor, porque você nunca sabe onde vai encontrar.” “Concordo… Eu tenho a mesma polícia de portas abertas para bebida.”

“Eu tenho tantos planos grandiosos para minha vida. E sei que vou fazê-los todos acontecer!” “Heh. Que fofo.”

“Hoje é a noite que vou dormir o inverno inteiro… Dormir seria mais fácil se tivesse alguém com quem me aconchegar.”

“Ninguém acredita quando eu digo que amo metal. Heavy metal, speedy metal, black metal… Eu amo todos. Eu sou metal.”

Tendência: vestidos anti-sociais


Vestido Aranha

Não sei vocês, mas eu gosto de roupa que me protege. Do frio, da chuva e, se possível, até de outras pessoas. A designer de moda e engenheira holandesa Anouk Wipprecht criou o Spider Dress, o vestido aranha, cujo corpete possui membros robóticos construídos com tecnologia que responde a estímulos externos, protegendo o espaço pessoal do usuário. Aparentemente retirado de um animê futurista, o vestido foi impresso em 3D e é adornado por 20 sensores de proximidade e bio-sinais sem fio conectado a uma plataforma Intel Edison, permitindo ao sistema analisar o comportamento de pessoas num raio de aproximadamente sete metros ao mesmo tempo que monitora o nível de estresse interno do usuário. Assim como uma aranha, se houver uma aproximação agressiva, o vestido se coloca em posição de ataque.

Robotic Spider Dress [Intel Edison based] // 2015 teaser from Anouk Wipprecht on Vimeo.

O vestido é um reflexo da filosofia de Wipprecht de enfatizar a biologia de nossos corpos através de tecnologia, ao invés de silenciá-la. Como ela explica para a Motherboard, “o vestido de aranha em particular tem a percepção extendida do instinto do usuário ao atacar quando alguém entra no seu espaço pessoal sem ser convidado”. O vestido será lançado no festival CES de consumo de eletrônicos entre os dias 6 e 9 de janeiro em Las Vegas.

Seria excelente para usar no transporte público.