Isso não é sobre flores

Não sei quase nada sobre a artista belga Isabelle Menin, só que ela costumava ser pintora e agora trabalha com fotografia digital e que gosta de trabalhar com flores. Apesar de suas composições serem sempre com elementos da natureza, suas inspirações vêm da vida: dor, alegria, medo, encantamento, raiva e gratidão. Na série “This is not about flowers” (Isso não é sobre flores), as flores sobrepostas, retorcidas e borradas, evidenciadas sobre um fundo escuro são muito mais do que apenas flores. Além da beleza, elas passam certo sofrimento e uma morbidez impossível de serem ignorados.

Especial carnaval: Como fazer malas

Se tem uma coisa que eu sei fazer na vida, são malas. Como tenho a família toda espalhada, eu sempre viajei muito e por muito tempo. Eu passava todas as minhas férias de escola na casa da minha vó no interior de São Paulo ou na casa de uma tia do interior de Santa Catarina e quando fiz uns 10 anos comecei a fazer minhas próprias malas. Nada da minha mãe escolher mais minhas calças moletom coloridas anos 90. Ao longo desses anos nômades todos, fui aperfeiçoando a técnica de fazer cada vez a melhor mala e estou aqui para compartilhar da minha sabedoria para vocês.

1. Faça uma lista de dias que você vai passar viajando e do que você pretende levar.

Antes de começar a escolher roupas, conte quantos dias e noites você vai estar viajando e quais serão as possíveis atividades. Depois você faz uma lista de tudo que precisa levar para não esquecer nada. Se eu não colocar alguma coisa na listinha, é bem provável que eu esqueça de levar, então coloca tudo: meias, desodorante, pente, aquele shorts que você adora que combina com tudo, pijama, carregador de celular, bateria extra da câmera. Eu gosto também de colocar na lista as roupas que eu estarei usando para viajar, o que tira alguns itens da mala, que geralmente são as coisas mais volumosas: seu maior par de sapatos, calça jeans, aquele sutiã que amassa e um casaco. Independente de onde e como você vai, sempre há a possibilidade de passar frio, principalmente dentro de ônibus intermunicipais.

2. Leve apenas o que você consegue carregar.

A não ser que você tenha um escravo e/ou um namorado bombado para carregar suas malas (e ele provavelmente também estará com as próprias malas), lembre-se de que quem vai levar suas coisas é você. Mesmo que você fique em apenas uma estadia, você vai ter que carregar a mala até seu hotel/hostel/casa do airbnb e trazê-la de volta. Então pense bem se as roupa e os sapatos extras, cosméticos e se seu secador de cabelo compensam o pesinho extra.

3. Escolhendo a mala:

Antigamente, eu gostava muito de enfiar o máximo de coisas possível em uma mochila, sempre que viajava por menos de uma semana, mas eu tenho as costas ruins e simplesmente. não. aguento. Essa é uma escolha pessoal, mas aprendi que mochila amassa muito as roupas e que é muito mais difícil de achar o que você quer sem fazer uma bagunça. Mochila só é prático realmente em viagens de mochila, obviamente, onde você vai trocar muito de destino. Eu também só levo malas sem rodinha se for ficar no máximo 3 dias, numa casa com piscina, onde eu não iria sair a noite, então seria bem leve.

3. Escolhendo a quantidade certa de roupas: 

Tem algumas regras que eu sempre sigo: a primeira é que tudo que você levar deve combinar entre si. A maioria das minhas roupas são pretas, então meu armário inteirinho combina, mas se você gosta de estampas, essa é a hora de ser neutro (desculpa). Escolha partes de baixo (calças, bermudas, saias) neutros, aí as partes de cima (blusas e vestidos) podem ser coloridas. É legal que cada blusa combine com todas as partes de baixo, para que você tenha mais opções. Essa também é a hora de perder o medo de repetir roupas e aparecer em todas as fotos com o mesmo look. Alguém está te pagando para fazer look do dia todos os dias? Então desencana. Roupa de sair à noite geralmente não suja muito, então você até pode repeti-la sem medo uma ou duas vezes, só alterando os acessários. Se você for viajar mais de uma semana, sujiro que tente lavar suas roupas no meio da viagem, principalmente se for um mochilão.

4. Leve suas roupas preferidas.

Eu acho que a mala de viagem tem que ser a extensão da melhor parte do seu armário. Aquela saia que vai com tudo, aquela blusa do tecido gostosinho, aquele all star que já tem o formato do seu pé. Geralmente em viagem a gente passa o dia todo andando e em situações novas e é muito melhor fazer isso com roupas que são suas melhores amigas. E, ó, dica da tia: não leve roupa nova, bolsa que você não sabe se cabe tudo e aquele sapato que faz tempo que você não usa e não lembra porque deixou de usar. Em viagem já acontecem mil imprevistos, então evite ficar desconfortável com você mesma e levar coisas que poderiam se tornar só mais peso na mala. Isso vale para acessórios também.

5. Dicas pontuais para levar pouca coisa:

  • O dobro de calcinhas/cuecas que os dias que você for viajar, para emergências (a menos que vc vá para a praia, já que provavelmente vai ficar o dia todo de bikini, então dá para levar só 50% a mais). Tem gente que leva absorvente diário, mas eu não gosto, acho que ocupa muito espaço e não é muito saudável, além disso, nunca realmente protege as calcinhas de sujarem.
  • Um sutiã extra no frio, dois sutiãs extras no calor (se for só um fim de semana, eu vou só com o que está no corpo).
  • Leve só duas roupas extras para emergências, uma parte de baixo para cada três dias e apenas uma calça neutra.
  • No máximo três pares de sapato: um chinelo, um sapato confortável e outro bonito. E lembre-se que seus sapatos precisam combinar com todas as suas roupas.
  • Evite roupas que amassem. Sério, gente. Pra quê?
  • Enrole blusas e vestidos de tecido molinho para economizar espaço. Roupas mais estruturadas (como jeans e couro) cabem melhor dobradas.
  • A primeira coisa que vai na mala são sapatos, porque são pesados. Depois vão as roupas e a necessaire. Coisas pequenas vão no cantinho. Eu gosto de guardar cada coisa em sacos de pano separados (um para roupas, um para calcinhas e meias e cada sapato no seu saco) para que nada suje. E, claro, não esqueça de levar sacola para roupa suja!
  • Coloque shampoo, condicionador e creme naqueles potinhos de farmácia. Dura muito e ocupa bem menos espaço que a embalagem inteira. E não esqueça de colocar cada potinho em um saco plástico para evitar que derrame nas outras coisas da mala.
  • Isso vai de cada um, mas só leve o essencial de maquiagem, o que você usa todo dia e aquela paleta neutra de 4 sombras.

É isso, essas são minhas dicas para tentar levar o menor número de coisas possível e poder viajar confortavelmente, sem carregar muito peso e ainda poder comprar umas coisinhas. Nunca esqueça sua toalha!

50 tons de mau gosto

Agora que o filme está saindo, vou eu aqui reciclar um post antigo do outro blog que fez sucesso na época que o livro ainda era febre. E aparentemente vai voltar a ser. Maldita Hollywood.

Minha intenção era a de salvar a história, confesso. Dizer que não era tão ruim, que me identifiquei com Anastassia Steele, que há lições de vida e de relacionamentos no livro. Mas não, não há. As únicas coisas que eu aprendi foram que eu divido fantasias sexuais com uma senhora de meia-idade (fazer sexo com um cara podre de rico) e que eu escrevo bem pra caralho.

Masoquismo: limpar esse gloss das algemas depois.

Enquanto eu estava lendo, fui fazendo uma listinha com algumas dicas do que não fazer contando uma história e, como todo mundo que tem blog ou lê blog é aspirante a escritor, achei legal compartilhar. Bora lá:

1. Stephan King disse uma vez que a estrada para o inferno é pavimentada com advérbios. Absolutamente, completamente, docemente, desnecessariamente. Isso vale também para conjunções adverbiais, por exemplo: “disse de maneira sensual” e, meu preferido do livro inteiro: “com um olhar de como quem diz: ‘não seja ridícula’”.

2. Essa é consequência do item 1, mas vale contar porque é um erro comum, sempre leio autores bons dizendo pra não fazer isso e era uma coisa que eu fazia quando achava que escrevia muito bem, obrigada, aos 15 anos: não descreva a forma como se fala. Até a J K Rowling aprendeu a não fazer isso mais. Sussurrou, gritou, disse com voz doce, ordenou, urrou. Urrou! Pontuação e contexto provavelmente darão conta de explicar o tom de voz dos personagens. Se precisar muito dizer que o personagem gritou, fique à vontade, mas tudo menos “ordenou docemente”. Estou até agora tentando entender que porra quer dizer “ordenou docemente”.

3. Ao se falar de partes íntimas, use a palavra mesmo, nada de “ele encostou ali” (em itálico, durante as quase 400 páginas do livro). Quantos anos você tem, pelo amor de Deus? Parece eu, na escola, falando do “voluminho” dos meninos.

4. E esse é o contrário do anterior. Não descreva exatamente o que as pessoas estão fazendo durante o sexo. Isso não dá tesão, dá nojo. Fica parecendo os contos do Marcelinho. Ou, sei lá, eu que sou fresca e prefiro ler as sensações aos atos mesmo.

5. Não repita frases feitas. A E L James parece que repete mais, quanto pior a expressão. Essa do “um olhar como quem diz ‘não seja ridícula’” aparece várias vezes. A calça de feltro (Christian Grey, um hippie) caída “daquele jeito na cintura”, seja lá o que isso queira dizer. Além da marca registrada do livro (que até virou piada entre meus amigos que nem leram o livro): “Está com fome? Não de comida”.

 6. Não sei vocês, mas acho bem mais legal ler um livro que tem uma história e no meio dela tem cenas de sexo do que o contrário. 50 Tons tenta ter uma historinha, mas os personagens não a sustentam. O primeiro beijo do casal só vem lá pela página 100, quando você não aguenta mais se perguntar por onde anda aquele sexo todo que as editoras venderam porque, francamente, foi pra isso que eu comecei a ler e realmente não me importo com a vida mal desenvolvida dos personagens planos e chatos.

7. “Intumescer” é a palavra mais feia da língua portuguesa.

E tem toda aquela parte do abuso, claro. Christian Grey é igualzinho ao meu ex-namorado abusivo, só que bonito e rico. E já passou da hora de parar de glamourizar relacionamentos abusivos, né? De qualquer forma, pelo menos o primeiro livro, vai agradar apenas dois tipos de pessoas: as que não lêem ou as que não fazem sexo.

O jogo de todas as nossas vidas

“Ninguém me ama! *Snif*”

Todo mundo já esteve lá. O ciclo sem fim de esperar um cara – ou 10 caras – ligar. Estar em um relacionamento que não vai a lugar nenhum, onde você se dá completamente e o outro parece sempre ter coisa melhor para fazer. Procurar incansavelmente alguém mais ou menos bonito e mais ou menos gente boa no Tinder. Woody Fu e Christina Moracho fizeram um jogo sobre isso, onde você é uma garota de vinte e pouco anos e precisa fazer escolhas para decidir o rumo da sua vida amorosa. Dá para jogar de novo e de novo até talvez conseguir achar um cara legal e começar a namorar. Tão angustiante quanto a vida real.

Para jogar e lembrar de todos os erros que já cometeu na vida: Escape the Fuck Zone.

Deus abençoe a Internet: No Frills Twins

Vanessa e Arna Rogers são as No Frills Twins, gêmeas idênticas de 19 anos multi-talentosas e ultra-criativas, vindas do interior da Austrália. Elas fazem música e são fashionistas, donas de uma estética (tanto para roupas quanto para música) alternativo e acumulador. Vestem-se a partir de brechós, misturam tendências e usam muita, muita maquiagem. As irmãs têm um canal no youtube, com covers de outras músicas, vlogs e outras coisinhas. A música parece um pouco Marina and the Diamonds, mas com alguma coisinha mais original.

Semana passada as gêmeas lançaram o vídeo de seu primeiro single “God Bless the Internet” feito a partir de financiamento coletivo. E eu estou ouvindo no repeat há várias horas.

“Don’t tell me I’m wasting my youth/Got my headphones in to block out the truth”.

“Não me diga que estou perdendo minha juventude/Estou de fones de ouvido para bloquear a verdade”. A voz de uma geração. Deus abençoe a internet, não sei o que eu mesma seria sem ela.

Sobre bikinis

Ah, o verão. Tempo de calor, praia e, se você mora em São Paulo, falta de água. Eu faço o meu melhor para não ir à praia durante as festas de final de ano para não enfrentar congestionamento na estrada, preços abusivos em pousadas e nem um metro quadrado para extender minha canga na areia. Além disso, odeio areia. E água salgada. E sol. Mas aí pintou a oportunidade de eu ir quase de graça para a casa de praia do cunhado, que fica pertinho de Parati. E, nossa, sempre quis ir para Parati.

A pior parte da praia nem é ter que passar duas horas passando protetor solar e mesmo assim correr o risco de ficar com a tira da havaiana vermelha. É ter que comprar bikini. A última vez que comprei bikini fazem uns 5 anos. Procurar um novo é sempre um momento de tensão e ansiedade. Achar algo que serve, que dê segurança para pular ondas sem acabar ficando pelada por engano e que seja minimamente atraente é uma tarefa apenas para os de forte coração. Queria saber como têm gente que tem um monte de bikinis, gavetas cheias. Elas devem ter um exército de gnomos que ficam costurando bikinis perfeitos. É o único jeito.

Dessa vez até que consegui comprar rápido, foi na terceira loja e a vendedora não ficou me empurrando nada que eu não quisesse. Eu tive que dizer apenas uma vez que não gosto de frente única. Eu não sei quem foi o imbecil que inventou que mulheres de peito grande precisam usar bikini frente única. Certamente alguém sem peitos. Uma vez eu caí nessa lorota e comprei um. Foi umas das piores experiências fashion da minha vida, logo depois de todas as vezes que insisti em ir a alguma festa de salto alto.

Vou contar uma coisa pra vocês: seios pesam. Geralmente eles ficam não tão confortavelmente equilibrados nas costas e nos ombros, em tiras grossas. Aí alguém decidiu colocar todo esse peso no pescoço criando o que eu gosto de chamar de efeito guilhotina. Tanta. Dor.

Sinto sua dor, Kim!

Sinto sua dor, Kim!

Mas parece que já foi canonizado que frente-única ajuda a “desfarçar” seios grandes, do mesmo jeito que mulheres com seios menores “não podem” usar tomara que caia com o risco de parecem menores ainda, que horror, e toda uma miríade de esquemas para encobrir “defeitos”. Aparentemente a gente sempre tem que comprar roupa que nos deixe mais próximas de um padrão. E quando você pensa que o padrão é a Kim Kardashian ou a Gisele Bündchen, descobre que até elas têm bikinis específicos para desfarçar os problemas dos seus tipos de corpo. Melhor seria nem sair de casa, né? Queria um mundo com mais vendedores que não me empurrassem o que não quero comprar e com mais estilistas que priorizam praticidade e conforto sobre estética que “desfarça defeitos”.

Por que os lobos mudam os rios?

Não sou a pessoa mais sustentável do mundo. Gosto muito de couro de verdade e, deus que me perdoe, estou a procura de uma oportunidade para usar as peles vintage da minha avó. Também não tenho nenhuma plantinha aqui em casa, nem tenho móveis feitos de pallets e caixotes de frutas, mas tento fazer meu melhor pra separar o lixo reciclável do orgânico e nunca, sob hipótese nenhuma, jogo lixo no chão. Quer dizer, o planeta é nossa casa, né?, e gente precisa cuidar bem dela.

A ong Sustainable Human, em conjunto com o biólogo George Monbiot montou alguns vídeos sobre cadeias tróficas e como elas influenciam o meio ambiente. Por enquanto há dois vídeos: um deles sobre lobos e a manutenção do ecossitema do Parque de Yellowstone, nos Estados Unidos, e outro sobre as baleias e a sua influência no clima. Infelizmente os vídeos não possuem legenda (e a narração é realmente essencial), mas fica aqui o link, para quem sabe inglês:

How Wolves Change Rivers from Sustainable Human on Vimeo.

How Whales Change Climate from Sustainable Human on Vimeo.